O louvor de Deus estava gravado no coração de Madre Chantal

Missa de sétimo dia de Madre Marie Chantal, do Mosteiro do Encontro

Homilia de Pe. Francisco Dietzler, da Trapa de Nossa Senhora do Novo Mundo

“Imola a Deus um sacrifício de louvor
e cumpre os votos que fizestes ao Altíssimo”
(Salmo 5)

O louvor estava gravado no coração de Madre Chantal. Formada por seu pai, que era professor de canto Gregoriano, desde jovem ela cantava os salmos. Este hábito de cantar os louvores de Deus a acompanhará por toda a sua longa vida. Até os últimos anos ela estava no coro, o corpo inclinado numa permanente reverência, com sua lanterna iluminando o texto. Agora ela está junto com Irmã Ana e todos os anjos e santos, louvando a Deus – mas sem desafinar.

Que é o louvor? É um canto cheio de gratidão e entusiasmo reconhecendo a grandeza, a glória, a bondade, fidelidade, amor, enfim, todos os atributos de Deus. Na Missa, a oração eucarística começa com o Prefácio que é uma oração de louvor e ação de graças por todos os mistérios e grandezas do Senhor, terminando com o Santo, Santo, Santo, o céu e a terra proclamam a vossa glória, Hosana nas Alturas.

O papa Paulo VI, em sua constituição Laudis Canticum, sobre a Liturgia das Horas, afirmou:

“O cântico de louvor que ressoa eternamente nas moradas celestes e que Jesus Cristo introduziu nesta terra de exílio foi sempre repetido pela Igreja durante todos os séculos, constante e fielmente”.

De fato os antigos monges e monjas – sem nenhuma instrução do Papa ou da Igreja, mas instruídos diretamente elo Espírito Santo – no deserto rezavam cada dia todo o saltério, o que levou São Bento a exigir que nós, relaxados, ao menos rezemos em uma semana o que nossos pais rezavam em um único dia. Desde o princípio, portanto, os monges e monjas se dedicam ao louvor de Deus.

Em nosso mundo secularizado, disperso, sem Deus e sem tempo, dedicar tanto tempo cada dia ao louvor de Deus exige muita fé. Que valor tem? A Sagrada Congregação para o Culto Divino diz: “A Liturgia das Horas cumpre o mandato do Senhor de orar sem cessar e louvando a Deus Pai interpela pela a salvação do mundo”. E o mundo de hoje precisa – e muito – de salvação.

Sabemos a importância que a Regra de São Bento dá para o Ofício Divino. Um dos critérios para julgar uma vocação é ver se o candidato é solicito para com o Ofício Divino; que nada se anteponha ao Ofício Divino, que ao tocar o sino, os monges deixem tudo imediatamente e se dirijam ao oratório. São Bento e todos os padres monásticos crêem firmemente que quando estamos presentes no Ofício Divino estamos na presença da Divindade e de seus Anjos.

Também Madre Chantal cria nisso com todo o seu ser. Quando as Irmãs entram solenemente e com dignidade na capela fazendo uma reverencia ao altar, tomando seus lugares no coro e começando o Ofício com o órgão, o canto, as leituras e os salmos, tudo converge para criar um ambiente cheio da presença de Deus. Pela fé,  os monges e monjas de hoje, exatamente como os monges e monjas antigos, penetraram o significado de todos estes sinais, e encontraram a Deus. O Ofício Divino e a Missa são o seu lugar de contemplação, de comunhão com Deus.

Padre Francisco (de Novo Mundo) e Madre Maria Chantal

Agora que Madre Chantal está louvando a Deus e cantando os salmos com sabedoria in conspectu angelorum (na presença dos Anjos), podemos suplicar-lhe que nos acompanhe e abra os nossos olhos para descobrir que estamos em meio ao grande coro celestial louvando, exultando, glorificando nosso Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo.

9 de setembro de 2020
Mosteiro do Encontro – Mandirituba, PR


2 comentários sobre “O louvor de Deus estava gravado no coração de Madre Chantal

  1. Querido Pe. Francisco que bom reencontrá-lo na leitura deste texto. Sua alegres é sempre visível. A magnitude de sua fé nos trás a experiência de uma homilia de uma missa do sétimo dia de falecimento, muito mais repleta de flores e esperança do que condolências. Assim é ser cristão, exaltar o que Deus quis para nós e a nossa resposta diante disso do que lamúrias e discursos fundamentados na tristeza.
    A diferença de uma vida virtuosamente cristã se faz na hora da morte, pois o noivo chega, abre a porta, saúda e reconhece pelo brilho da luz das boas obras a fé daquele que o esperavam e sem temos a ele deram a própria vida. Certamente Madre Chantal pôde ouvi: “Venha, entre para as bodas do Senhor, você sempre fez parte desse corpo místico que é meu próprio corpo”.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s