Madre Maria Chantal (1919-2020), modelo de santidade monástica

Saudades de nossa amiga Madre Chantal, monja do Mosteiro do Encontro, que retornou à casa do Pai no dia 3 de setembro aos 101 anos de idade

Madre Chantal Modoux nasceu em Fribourg, Suíça, no dia 21 de fevereiro de 1919. Recebeu uma educação primorosa. Foi professora particular do Príncipe Juan Carlos da Espanha, futuro rei de Espanha. Durante a Segunda Guerra Mundial também trabalhou como tutora dos filhos dos Embaixadores à Santa Sé, na Cidade do Vaticano.

Uma amiga, oblata da abadia de Ligugé, emprestou-lhe o livro do grande beneditino Dom Columba Marmion, “Jesus Cristo, ideal do monge”. Ao fim da leitura, ela fechou o livro e disse: “É isso, e nada mais”. E assim, renunciando a uma brilhante carreira como educadora, ela disse SIM Àquele que a chamava para a vida monástica.

Ingressou no mosteiro beneditino de Notre-Dame de Béthanie, na Bélgica, professando seus primeiros votos em agosto de 1954.

Mosteiro Notre-Dame de Béthanie (Bélgica)

Em 1960, o Papa João XXIII lançou um apelo às contemplativas pela América Latina, e Madre Chantal confiou à sua prioresa: “Espero que Betânia responda”.

Betânia respondeu… e quatro anos depois (1964) nossa intrépida Madre, em companhia de outras três fundadoras, embarcava em um navio rumo ao Brasil. Nascia assim o Mosteiro do Encontro, em Curitiba, do qual foi sua primeira prioresa.

Madre Chantal, modelo de santidade monástica

Madre Chantal era uma alma autenticamente religiosa. Não tinha necessidade de falar de Deus: toda a sua pessoa irradiava a presença e o louvor d’Aquele que era o grande amor de sua vida. Todos aqueles que se encontravam com ela, tinham a certeza de estar na presença de Deus.

Ela manifestava exteriormente a beleza e a pureza de uma vida interior de profunda comunhão com Deus. Esta beleza a acompanhou ao longo de toda a sua vida, comunicando estas qualidades a todas as suas monjas.

Possuía um amor muito especial pela Liturgia, e era dotada de um talento especial para o canto. Seu pai era professor de canto gregoriano, e a pequena Madre Chantal era sua aluna mais entusiasta. Até o fim de sua vida, ela podia cantar longos trechos de memória.

Este canto, da cena da Apresentação de Jesus no Templo (no Oriente chamada Festa do Encontro) é um “ícone sonoro” do Mosteiro do Encontro: lugar de encontro da pessoa consigo mesma, com o próximo e com Deus.

Madre Chantal era uma verdadeira cenobita, que amava profundamente suas Irmãs e se dedicava de corpo e alma ao bem de cada uma delas. Todos os seus muitos dons e qualidades foram generosamente transmitidos às suas irmãs, e foram admiravelmente encarnados na comunidade do Encontro.

Sob todos os aspectos, o Mosteiro do Encontro respira o espírito comunicado por Madre Chantal: o amor pelo Ofício Divino e pela vida monástica, a alegria do louvor, o espírito de Betânia, ou seja, a abertura, o amor à Igreja, disponibilidade de envio, simplicidade, zelo pela comunhão fraterna e hospitalidade. Entrar em contato com a comunidade do Encontro é experimentar o legado e a presença viva de Madre Chantal.

Na última noite a Madre estava cercada por suas Irmãs, que cantaram juntas o Suscipe me, Domine (“Recebei-me, Senhor”). Sua última palavra foi “obrigada”. Difícil pensar em uma morte mais digna para uma filha de São Bento.

Madre Chantal e a Trapa de Nossa Senhora do Novo Mundo

Desde o princípio nossa comunidade trapista de Nossa Senhora do Novo Mundo foi abençoada com o inestimável apoio e a amizade de Madre Chantal e de toda a comunidade do Encontro. Esta amizade cresceu com os anos e é uma fonte de estímulo, apreciação e graça para todos nós.

A partida de Madre Chantal para a casa do Pai causa tristeza e alegria ao mesmo tempo. Tristeza por perder a companhia de uma monja tão santa e querida, que tanto contribuiu para a vida monástica no Brasil. Mas também – e principalmente – alegria e gratidão por aquela que lutou o bom combate e que cremos que já está gozando da visão beatifica do Deus que ela amou, louvou e serviu tão fielmente ao longo de seus 101 anos de vida. Sua memória vai perdurar e fecundar a comunidade e a Igreja.  


Para conhecer o Mosteiro do Encontro: www.mosteirodoencontro.org.br

No próximo post: Homilia de Pe. Francisco Dietzer, da Trapa de Novo Mundo, para a missa de sétimo dia de Madre Chantal

9 comentários sobre “Madre Maria Chantal (1919-2020), modelo de santidade monástica

  1. Salve Maria!

    Madre Chantal irradiava a paz de um anjo, a alegria de um passarinho livre e a majestade de uma rainha. Sou grato a Deus que nos presenteou com uma dádiva tão preciosa. Que pelo seu exemplo e intercessão possamos penetrar o mistério do Amor tão profundamente quanto ela.

    Bela homenagem, Irmão Guilherme! Saudades dos meus amigos.
    Juntos através da Eucaristia.
    Renato.

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  2. Nas três vezes que visitamos o Mosteiro do Encontro, em Mandirituba, coube-nos o privilégio de estar com Madre Chantal – presença marcante naquele maravilhoso ambiente de paz, acolhimento, respeito e devoção. Já avançada nos anos, ela transmitia alegria de viver e energia interior inesgotáveis. Surpreendia pelo zelo e atenção que dedicava a todos e à história pessoal de cada interlocutor, cujo nome ela fixaria para sempre na memória. Conhecemos um ser verdadeiramente iluminado, que passou por este mundo sem outro propósito além de fazer o bem e inspirar sentimentos de virtude cristã.

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  3. Nossa Madre Chantal sempre sera lembrada com muito carinho pela seu jeito alegre e cativador..
    Que o Cristo que nela sempre resplandecia sua face, resplandeça em nós com a força do Espirito Santo..Amém
    Com carinho e saudade
    Lourdes

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  4. Meus sinceros votos de pêsames às irmãs do Mosteiro do Encontro. Nesse momentos nos cabe agradecer a vida e santidade de uma grande mulher. Seu dom foi uma contagiante alegria, sua vocação foi receber os visitantes como se fossem o próprio Cristo Jesus, sua cruz estava com Jesus a viver no mistério Dele, e Nele resplandecer na sua face a fé, esperança e caridade, cumprindo seu ofício de orar e trabalhar, que fazia com incansável zelo.
    Obrigado madre Chantal, muito obrigado mesmo.

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