Por que a Transfiguração de Jesus no Monte é um “ícone” da vida contemplativa?

Na raiz de nossa vocação contemplativa, está o chamado de Cristo para o seguirmos “a um lugar à parte, sobre uma alta montanha” (Mt 17, 1). Para lá o Senhor nos conduziu para nos acolher em sua intimidade, nos abrir o coração e nele derramar sua Graça e nela sermos transformados – isto é, transfigurados.

Ele deseja vestir-nos de sua divina Luz, de modo que, despindo-nos do homem velho com suas obras, nos tornemos, nós mesmos, portadores dessa luz.

Mas como esta palavra de luz poderá atingir o nosso coração, se ele está surdo e cheio do barulho do mundo? Aceitemos, pois, o convite de Jesus e subamos com Ele o “alto Monte”, deixando para trás o barulho e a vaidade do mundo.

Deixemos que Ele rompa a nossa surdez, para que possamos ouvir Sua voz; que ele abra nossos olhos para que sejamos repletos dessa luz.

É esta a obra que o Senhor realizará em nós em seu Monte Santo: que a nossa natureza humana, criada no princípio à imagem de Deus, porém obscurecida pela Queda, seja transfigurada na beleza original do homem criado à imagem e semelhança de Deus.

Coloquemo-nos, pois, a caminho!

Sugestão de leitura para os vocacionados:
Documento “
Vita Consecrata”, de S. João Paulo II. A Transfiguração do Senhor é o “pano de fundo” deste documento sobre a vida consagrada e sua missão na Igreja e no mundo.

9 comentários sobre “Por que a Transfiguração de Jesus no Monte é um “ícone” da vida contemplativa?

  1. A Transfiguração do Senhor no monte Tabor, é antecipação de sua glória, de nossa glória.
    Por diversas vezes vários acontecimentos citados na Bíblia ocorreu no alto de um monte, desde o Novo ao Antigo Testamento. Mas porque no alto de um monte, de uma montanha?
    Geograficamente monte é uma elevação do terreno. Tendo uma altura superior a de uma simples colina, mas inferior a de uma montanha. Faço a seguinte alegoria, o monte, como diz a geografia é inferior a montanha, mas mesmo sendo pequena ela se eleva ao céu, aponta para ele, se eleva da planície.
    Sendo assim o monge, é como monte, inferior a uma grande montanha “Deus”, mas mesmo pequeno se levanta, aponta para o alto rumo aos céus, uma flecha disparada para o Alto.
    A transfiguração é a manifestação concreta da divindade de Cristo, sua realeza. É como que um reforço espiritual, para enfrentarem a paixão, para fortalecer a fé de seus discípulos, Jesus revela sua divindade, sua glória.
    Sendo assim a vida monástica é uma continua transfiguração, no silêncio do “monte” buscar continuamente a Deus

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    • Sim, a montanha é o lugar da manifestação de divina (Moisés no Sinai, Elias no Horeb, Jesus no Tabor…). É também o lugar da INTIMIDADE com Deus (“Senhor, é bom estarmos aqui!”).
      Para esta intimidade devemos nos preparar mediante uma “subida”.
      S. João da Cruz a chama de “subida do monte Carmelo”. São Bento em sua Regra, citando o Salmo 14, coloca a pergunta “Quem subirá até o monte do Senhor, e habitará em sua tenda?”.
      E o Bem-aventurado Guilherme de Saint-Thierry dedica sua mais importante obra aos “irmãos do Monte de Deus”.

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  2. Como diz o Papa na “Vita Consecrata”, a vida contemplativa é, ao mesmo tempo, um contemplar e viver com “o” Jesus da Transfiguração (da Vida Eterna) e um contemplar e viver com “o” Jesus da vida ordinária (da vida de labuta rumo à Cruz – vida humana): “Implica um « subir ao monte » e um « descer do monte »: os discípulos que gozaram da intimidade do Mestre, envolvidos durante alguns momentos pelo esplendor da vida trinitária e da comunhão dos santos, como que arrebatados até ao limiar da eternidade, são reconduzidos logo a seguir à realidade quotidiana, onde vêem «apenas Jesus » na humildade da sua natureza humana, e são convidados a regressar ao vale para partilharem com Ele o peso do desígnio de Deus e empreender corajosamente o caminho da cruz.”

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    • Se a dimensão “contemplativa” da vida espiritual (oração, solidão e silêncio, meditação da Escritura) não estiver unida à dimensão “ativa” (ascese, serviço, trabalho, etc.), ela não será verdadeiramente “contemplativa”, nem verdadeiramente “ativa” – e talvez não seja nem mesmo será cristã… Por isso “subir o monte” está integrado a “descer o monte”.
      Contudo, a “vida ativa” se alimenta da “vida contemplativa”. Estes são os “tempos fortes” da vida espiritual, tempos de dedicação mais intensa à intimidade com o Senhor.
      Hoje, é preciso redescobrir essa verdade, que os Antigos sempre souberam.

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  3. Transfigurou-se, transformou-se, metamorfoseou-se , como na tradução grega de MT 17, 2 “μετεμορφώθη”… Creio que a linguagem não dê conta do que aconteceu com Jesus no Thabor.
    Inexplicável acontecimento, Cristo tira o véu ao mesmo que não o retira. Revoga completamente o tempo cronológico e histórico da existência trazendo “antes” da ressurreição Moises e Elias presentes. Há quem diga que eram anjos transfigurados neles, prefiro entender que só o Cristo se transfigurou, ou melhor, mostrou-se completamente, sem sombras e confirmado por Deus pai como Deus e com Deus.

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  4. O acontecimento da Transfiguração do Senhor se encontra entre outras duas narrativas: a das condições para o seguimento de Jesus e a do anúncio de sua Paixão. Mt, Mc e Lc o fazem e portanto são eventos que devem ser compreendidos como uma só realidade teológica. No primeiro, a renúncia de si mesmo, a tomada da própria cruz e a perda da vida são as condições apresentadas por Jesus para o seu seguimento; no segundo, anuncia que deve sofrer, morrer e ressuscitar em Jerusalém, ou seja, a Ele também se lhe apresentam condições para cumprir sua missão. E ao centro, há a Transfiguração de Jesus, prenúncio de de que no alto da montanha – o Calvário – sua morte na Cruz lança a luz que ilumina a subida de seus discípulos, representados por Pedro, Tiago e João, para que transfigurados Nele desçam a montanha como homens novos, membros de sua Igreja, portadora da Nova Lei, a do Amor, e Profetismo, a Evangelização, representadas por Moisés e Elias. Nesse mistério se encontra mais profundamente inserida a vida contemplativa: resposta ao convite do seguimento de Jesus, e com Ele a vivência cotidiana da Cruz até a transformação total no homem novo, tão amado e desejado do Pai.

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  5. Uma grande de verdade! Um mundo que está entrega a vaidade, há pecados horríveis, que querem tudo pela ganância, futilidades, promiscuidade, egoísmo…São tantos pecados neste mundo que todos sabemos. Algo triste e lamentável! Surdos para e por Deus! A perda do amor verdadeiro que Jesus Cristo Misericordioso e Verdadeiro do Evangelho nos deixou o legado 98% da população não vivem, conhecem porém não a vive ou põe em prática. O mundo está doente! A cura existe, que é Jesus Cristo, mas infelizmente a maioria das pessoas optaram por não querer a cura e continuar no mundo do pecado mesmo que sofram as consequências gravíssimas e ainda levem a inocente a sofrer e a pagar por causa deles!

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  6. Boa noite, paz!
    Maravilhas essas reflexões como me faz refIgreja à verdadeira fé, e levar àquilo que realmente o Senhor nos chama ‘ao essencial’.
    Muito obrigado e que a Ss. Trindade os conserve como verdadeiros fiéis de Cristo e sua Igreja, nos ajudando de modo inigualável.

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