“Caríssimo Irmão, a vida monástica que você inicia hoje é uma contínua Transfiguração”

Tomada de hábito de Irmão Tiago

Trapa de Nossa Senhora do Novo Mundo
Festa da Transfiguração, 6 de agosto de 2020

“E transfigurou-se diante deles; o seu rosto brilhou como o sol e suas roupas ficaram brancas como a luz”.
Do Evangelho da Transfiguração

Acho que não é mera coincidência, Ir. Tiago, sua entrada no postulantado no dia da festa da Transfiguração. A vida monástica sempre foi vista não apenas como um segundo Batismo, mas também como uma contínua Transfiguração. Importante lembrar que tanto no Batismo quanto na Transfiguração temos uma teofania: o céu se abrindo e a voz do Pai ressoando, dizendo: “Este é o meu filho amado; escutai-o!” Acho que você também, Ir. Tiago, refulge hoje com algo da glória da Transfiguração: seu rosto está brilhante do seu desejo de agradar a Deus, e sua nova veste – o hábito de Cister – em breve vai ficar branca como a luz, como nenhuma lavadeira (ou nenhum lavadeiro, no caso de nossa comunidade!) seria capaz de deixar. De fato, caríssimo Irmão, a vida monástica que você inicia hoje é, toda ela, uma Transfiguração.

Homilia do Pe. Gabriel Vecchi, Prior


Qual o caminho até a Vestição?

A caminhada de discernimento vocacional para a vida monástica começa com a realização de alguns retiros no mosteiro, para que o candidato faça por si mesmo a experiência de nossa vida e nosso carisma.

Caso o chamado vá se confirmando, o passo seguinte será um retiro de imersão dentro da vida da comunidade, que chamamos de estágio claustral.

Permanece vivo o desejo de entregar-se inteiramente Àquele que o chamou para subir com ele o Monte Tabor? Segue então a deposição das vestes seculares, o ingresso no postulantado e a vestição do hábito monástico.


Para reflexão: Porque a Transfiguração de Jesus no monte é um símbolo tão eloquente da vida contemplativa?

7 comentários sobre ““Caríssimo Irmão, a vida monástica que você inicia hoje é uma contínua Transfiguração”

  1. Talvez a Transfiguração seja símbolo da vida contemplativa monástica em uma via de mão dupla: para os que buscam viver a santidade numa comunidade monástica a Transfiguração é um estilo de vida, um estar diante do Senhor como os discípulos (Bom é estarmos aqui!) e ao mesmo tempo a tomada de uma nova vida – uma nova veste -, que permite ao monge ser pouco a pouco transfigurado numa conformação a Cristo; e para nós seculares a comunidade contemplativa é sempre uma experiência de Transfiguração, justamente porque cada monge e a comunidade num todo, em sua caminhada de conformação a Cristo, nos permite experimentar o Tabor.

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  2. Assim como Jesus subiu a montanha (lugar solitário e silencioso), transfigurou-Se (revelou-Se Quem era realmente) e ouviu a Deus (ouvir a Deus é parte da oração), assim também na vida contemplativa o monge vai ao mosteiro (lugar solitário e silencioso) para ser transfigurado por Cristo (Jesus lhe revelará quem de fato esse monge é) e para ouvir a Deus (rezar).

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  3. Na transfiguração de nosso Senhor Jesus Cristo, nos deparamos com 3 verdades da vida monástica
    1- A transfiguração de Cristo, proporciona a percepção de que a cruz é necessária
    2- A transfiguração de Cristo nos mostra que a cruz foi voluntaria
    3- A transfiguração nos da um antegozo da vinda gloriosa de Cristo

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  4. Sim, de fato este processo de entrega total a responder ao chamado de transfigurar-se como Jesus Cristo Misericordioso e Verdadeiro do Evangelho Ressuscitado é uma processo de libertar -se e revestir-se do Homem Novo! Uma Nova Vida de total entrega Contemplada em um lugar Santo Monástico de Silêncio libertador. Rezar, ouvir a Deus em uma Nova Vida de Oração comunitária, unidos em um processo peculiar, pessoal porém a mesma meta e objetivo!

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  5. Talvez a transfiguração seja a maior “experiência” contemplativa do Cristianismo. Ali Jesus deixa transparecer sua Divindade. Ali Pedro, Tiago e João viram a glória de Jesus e o amor do Pai por Ele. Ali eles viram como a Redenção “conversa” com a Lei (Moisés) e os profetas (Elias). Jesus, Moisés e Elias falavam da Paixão. É curioso notar que no momento de maior glória de Jesus enquanto andava na Terra, Ele continuava a falar de seu Sacrifício. O Tabor é a manifestação do amor de Deus porque nos prepara para o Calvário. É bom estarmos ali, mas que maravilhoso e misterioso saber que aquele mesmo Jesus que tinha a face resplandecente teria mais tarde a face desfigurada. Deus glorioso morrer por mim! Por mim! Como não posso também morrer por Ele? O que seria a vida contemplativa senão ver o Amor dEle glorioso no Tabor para que também nós nos tornemos alvos?

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