Carta pastoral de D. Mauro Lepori para o tempo de pandemia (I)

Nota preliminar do Caminho Cisterciense

Caros irmãos e irmãs,

Já estamos adentrando o sexto mês de reclusão social imposta pela pandemia, e vemos alguns ânimos se tornarem aflitos. Uns, pelo desânimo e tristeza; outros, pela indignação, ou pela angústia. Ou ainda pior, há quem fale sobre o “novo normal”, ao qual devemos simplesmente nos conformar… Seja como for, testemunhamos aqui e ali um desejo quase desesperado de que as coisas “voltem ao normal”.

Tudo é isso é compreensível e natural; afinal, o custo dessa pandemia está sendo altíssimo, sob todos os aspectos. Mas perguntemo-nos com honestidade: será que realmente queremos que tudo “volte ao normal”? Ou por outra: temos de fato um “normal” ao qual voltar? De uma perspectiva sobrenatural e Cristã, seria “normal” o caminho pelo qual enveredou nossa sociedade, e devemos voltar para ele? Ou, ao contrário, Deus nos está oferecendo uma oportunidade extraordinária para darmos uma nova direção às coisas?

Os próximos posts serão um espaço para refletirmos juntos sobre isso – e, na medida do possível, unirmos nossas forças em um trabalho comum.

Partiremos de um documento belíssimo, que compartilharemos com nossos vocacionados, amigos, e leitores desta página: a carta pastoral de D. Mauro-Giuseppe Lepori, Abade Geral dos Cistercienses, para o tempo de pandemia.

Ainda que a carta tenha sido escrita em março, a gravidade da pandemia e o rumo que as coisas tomaram desde então fazem com que a carta seja ainda mais atual e pertinente hoje do que na época em que foi endereçada aos mosteiros.

No coração de sua mensagem está a convicção de que esta situação se insere nos desígnios da Divina Providência, que nos chama a um retorno, a uma conversão; portanto, essa situação de pandemia traz em si uma grande oportunidade, e ao mesmo tempo nos confia uma missão. Mas para responder à altura precisamos ser capazes de ler os sinais dos tempos e dar-lhe o sentido correto.

E nossa resposta, para que seja verdadeiramente monástica e cristã, não será dada apenas como indivíduos isolados, mas como comunidade. Por isso queremos compartilhar essa proposta com nossos vocacionados e nossos amigos, para que estejamos juntos neste caminho de conversão que o Senhor nos propõe.

A reflexão de D. Mauro parte do versículo do salmo: “Parai e reconhecei que eu sou Deus. O Senhor dos Exércitos está conosco, a nossa fortaleza é o Deus de Jacó” (Salmo 45, 11-12).


Nossa ideia primeira era inserir a carta de D. Mauro aqui mesmo nesse post, mas no pareceu mais interessante dar tempo aos leitores para sondarem seus próprios questionamentos e sentimentos sobre esta provação que atravessamos. A carta de D. Mauro segue no próximo post.

8 comentários sobre “Carta pastoral de D. Mauro Lepori para o tempo de pandemia (I)

  1. Este é um momento de muita reflexão, o que temos feitos a favor do nosso planeta, nossa casa comum, para o bem de todos, com nosso próximo mais necessitado. Ou estamos vivendo um.individualismo, na certeza que Deus não quer isso de nós, mas que vivemos solidários uns com os outros, sendo a compaixão um sentimento que aflora no meio médicos enfermeiros, é isto nos leva A fé que Deus não nos abandona mas escuta nossos clamores.

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  2. Voltar ao novo normal da vida… Será que é isso o que queremos? Penso que já estamos fartos deste mundo materialista e sem transcendência. Como nos ensina santo Agostinho: só Deus pode tirar o bem de um mal. Em nossas vidas, que bem podemos tirar deste tempo de reclusão, medo e afastamento uns dos outros? Eu acredito muito que é Deus quem sustenta a nossa vida e o nosso mundo! E é Ele msmo que planta em nossos corações o desejo por algo melhor além do normal outrora vivido. Eu acredito que voltaremos para a participação das Santas Missas com os corações ainda mais sedentos de Deus. E sabemos que é Ele mesmo quem sacia nossa sede.

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  3. Sobre a pergunta: “temos um normal ao qual voltar?”
    Minha resposta seria: não temos. O caminho que a sociedade tomou não é normal. Ideologia de gênero não é normal. Mulher transexual que ganha prêmio de “pai do ano” não é normal. Homem transexual que compete em seleções esportivas femininas não é normal. Ficar privado da Santa Missa e da participação nos sacramentos não é normal. Deus nos livre de nos acostumarmos com esse “novo normal”.
    A nação que abandona a Deus perecerá.
    Também acredito que Deus deseja que aproveitemos esse momento de provação para repensar nossas vidas, e retornar ao caminho do bem e da verdade.
    Esperando o texto de Dom Mauro…

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  4. Definitivamente não quero e não posso voltar a minha vida antes da pandemia. Concluo na minha pequenez que Deus me deu um tempo novo para viver, uma nova relação de amor com tudo oque me rodeia. Usar máscara, preciso falar menos e ouvir mais, sem convívio com os amigos, meus amigos mais preciosos são minha família, sem encontro social entendo que melhor vida é quando encontro o amor em tudo oque faço. Descobri que a intimidade com Deus está no viver intensamente como se tudo dependesse de mim sabendo que dependo tudo de Deus.

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  5. Realmente, nesse momento da história do mundo, em que ocorre a análise das consequências da pandemia e de como a sociedade vai lhes responder, somos convidados a enxergar que Deus nos está oferecendo uma oportunidade extraordinária para também darmos, como Cristãos, a nossa resposta, a fim de que uma nova direção seja dada à história do mundo.
    A pandemia deu oportunidade para que as parcelas da sociedade que se afastaram de Jesus mostrassem o que sobrou em suas vidas: violência, ataques à Religião Cristã e às instituições que representam valores antigos e caros da humanidade, degradação moral, afrontas à liberdade, etc., em suma, mostrou o quão infeliz é o ser humano sem Jesus Cristo. Ele é a RESPOSTA. “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida.” (Jo 14, 6)
    Assim, unamo-nos cada vez mais àqueles nossos irmãos cristãos que se dedicam de uma maneira mais plena no seguimento de Jesus (os monges) e que são os portadores da tradição de oferecer soluções em situações graves da humanidade (basta recordar do contexto onde deu-se o surgimento do fenômeno dos Padres do Deserto e o momento histórico que resultou na construção da civilização ocidental pelos Mosteiros). Sob a orientação dos monges poderemos aprender, em primeiro lugar, a dar a RESPOSTA para nós mesmos e, consequentemente, para os demais.

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  6. Segundo o monge beneditino Anselm Grun, o deserto é um lugar onde “topamos com nossos limites, descobrimos que não podemos nos autoajudar, que precisamos da ajuda de Deus”. Ele não se refere, necessariamente, a um lugar, mas a uma experiência que costuma produzir em nós uma sensação de privação e impotência. Podemos enxergar esse momento (de pandemia) e as demais experiências difíceis de nossa vida, como “desertos frutíferos”, oportunidades para aprofundar nosso relacionamento com Deus? Ao mesmo tempo, que atitudes práticas podemos adotar para criar pessoalmente espaços de solitude e silêncio, nos quais nosso coração será “todo ouvidos” à voz amorosa de Deus? Obrigado, irmãos, pela oportunidade de “parada” e reflexão! No aguardo da carta de D.Mauro.

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