"Põe-te em pé, Jerusalém, porque a tua luz é chegada"

Santo Elredo de Rievaulx, abade
3° Sermão para a Epifania

Põe-te em pé, resplandece, Jerusalém, porque a tua luz é chegada (Is 60,1). Esta é a Jerusalém que o Senhor Jesus constrói com pedras vivas, e que tende a contemplá-lo, crendo firmemente que na sua visão há de encontrar a bem-aventurança futura. Esta Jerusalém é a santa Igreja, cada comunidade santa, cada alma santa.

Põe-te em pé, resplandece, Jerusalém! Com razão lhe é dito: Põe-te em pé, a ela que jazia por terra. Com razão lhe é dito: resplandece, a ela que estava cega. Jazia por terra, cega e nas trevas, no erro e na iniquidade. É-lhe dito: põe-te em pé, porque já se inclina quem haverá de erguê-la. É-lhe dito: resplandece, porque já está presente quem lhe trará a luz. Que exclama hoje no céu a estrela nova, senão: põe-te em pé, resplandece? Por essa razão apareceu no céu o sinal do nascimento do Senhor, a fim de que nos elevemos do amor das coisas terrenas ao céu. E também por isso o sinal está numa estrela, para que saibamos que o nascimento do Senhor nos há de iluminar.

Sermo 3 In Epiphania Domini

Percorrendo o caminho…

Foi prometido ao Antigo Israel que, na plenitude dos tempos, o próprio Senhor viria para restaurar Jerusalém, Sua cidade Santa, e fazer dela Sua morada para sempre.

Nós sabemos que se completaram os tempos e que, em Cristo, Deus cumpriu Sua promessa.

Que Jerusalém é esta? Onde ela está?

Neste sermão, o santo abade Elredo de Rievaulx (1110—1167) nos dá a resposta: esta Jerusalém é a Santa Igreja, o Novo Israel; é cada comunidade santa da Igreja, e é cada alma santa.

Para São Bento e os Padres Cistercienses, o mosteiro é chamado a ser esta cidade santa, a Nova Jerusalém que é a morada de Deus com os homens (Ap 21, 3).

Uma vez que Deus é Amor (1Jo 4, 16), os santos fundadores de Cister entenderam que cada mosteiro cisterciense deve ser uma Schola Caritatis: a “Escola do Amor Divino” na qual os monges aprendem a amarem-se uns aos outros como Cristo os amou, de modo que Deus permaneça neles e eles em Deus; e o Amor de Deus seja, assim, plenamente realizado neles (ver 1Jo 4, 12).   

Está aí resumida tarefa de cada monge e monja cisterciense: tomar parte ativa na construção de uma comunidade onde o Amor de Cristo seja plenamente realizado, e nela se cumpra a promessa do Senhor: “Farei de ti uma luz para as nações” (Is 49, 6).

Certamente a vocação para tornar-se “a morada de Deus entre os homens” não é exclusiva da vida monástica – ao contrário, é a vocação universal da Igreja. Como podemos, então, trabalhar juntos e eficazmente para que “o Amor de Deus seja plenamente realizado” em nossas comunidades? Quais os meios que Deus colocou à nossa disposição para este fim – e, ao mesmo tempo, porque é tão difícil alcançá-lo? Quais os obstáculos, grandes e pequenos, que encontramos neste caminho?

5 comentários sobre “"Põe-te em pé, Jerusalém, porque a tua luz é chegada"

  1. “É-lhe dito: põe-te em pé, porque já se inclina quem haverá de erguê-la.”
    Jesus se inclina. Um meio do ser humano “pôr-se em pé” a fim de ser erguido é a oração.
    Quando ensina e/ou incentiva as pessoas a rezar, a Igreja está trabalhando eficazmente para que “o Amor de Deus seja plenamente realizado” na comunidade.
    Irmão, muito obrigado pela postagem. O próprio blog também é um meio prático e eficaz para que “o Amor de Deus seja plenamente realizado.” “Schola Caritatis.”

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  2. Pax!
    Certamente, para que “o Amor de Deus seja plenamente realizado” na comunidade é central estar unido à Sua santa vontade. Isso pode parecer muito presunçoso (eu o diria até pouco tempo atrás), mas fazer a vontade de Deus é algo tão simples como fazer o que o Senhor me chama a fazer no momento presente. Se estou lavando a louça, essa é a vontade de Deus para mim naquele momento, que eu não fuja dessa minha obrigação e a faça com amor; se estou varrendo a casa, se estou trabalhando, se estou cuidando da minha família, certamente essa é a vontade de Deus. Fico realmente fascinado quando percebo o quão simples é fazer a vontade de Deus se vivo um dia de cada vez e que pequenas ações tem um valor imenso aos olhos de Deus se as faço com amor.

    Certo dia, perguntei ao Padre Francisco (monge trapista que esse ano completará 97 anos de idade) qual é o segredo da perseverança. Ele parou um instante, me olhou nos olhos e respondeu com alegria e despojamento: “O segredo para perseverar é viver um dia de cada vez, porque o tempo presente é o único que temos para amar a Deus e aos irmãos”. Isso realmente me tocou.

    Que Deus nos dê o dom de perseverar em Sua vontade a cada momento e o Espirito Santo nos guie com o dom do discernimento para permanecer sempre na vontade de Deus.

    Grande abraço!

    Curtido por 2 pessoas

  3. Encanta-me este sinal no céu, a estrela resplandece, ilumina e aponta. Luzeiro da paz, indica direção, sentido e me mobiliza, coloca-me em marcha, me dá um rumo, reorganiza os meus pensamentos e me põe de pé.

    Tenho procurado, irmão Guilherme, ver o presépio em cada coração humano, a pobreza e a fragilidade de cada pessoa, essa “limpeza” facilita ir ao encontro do resplendor do próprio meninos Jesus que habita os corações, basta querer se por em pé.

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  4. Pingback: Trapa feminina de Rio Negrinho: "Verdadeiramente, o Senhor está neste lugar" | O Caminho Cisterciense

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