“Militaram sob a Regra de São Bento e chegaram à plenitude da Vida”

13 de novembro
Todos os Santos que Militaram sob a Regra de São Bento

A festa litúrgica de Todos os Santos que Militam sob a Regra de São Bento, que celebramos no dia 13 de novembro, nos inspira a procurar nossa verdadeira vocação, que é a santidade. Ao longo do ano celebramos muitos santos e santas monásticos, reconhecidos e canonizados pela Igreja. Na celebração de hoje, reconhecemos e veneramos aqueles não inscritos no calendário, mas intimamente abraçados por Deus.

São os monges e monjas que dia e noite militaram sob a Regra de São Bento e chegaram à plenitude da Vida.  

Deus freqüentemente repete seu chamado para a santidade na Escritura. A santidade é a nossa vocação fundamental como Cristãos, nossa identidade e nossa missão. Leon Bloy, um convertido francês do século passado, disse: “O único fracasso na vida é não ser santo”.

São João Evangelista nos diz: “Vede que prova de amor nos deu o Pai: sermos chamados filhos de Deus. E nós o somos! Mas o que nós seremos ainda não se manifestou. Sabemos que por ocasião desta manifestação seremos semelhantes a Ele porque o veremos tal como Ele é. Todo o que tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também Ele é puro” (1Jo 3, 1-3)

Portanto, já somos filhos de Deus. Mas ainda não se manifestou o que seremos. Pela fé nos é revelado que seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é. Ele é puro. Na esperança de sermos puros como Ele é puro, nos purificamos de todas as nossas impurezas, nossos egoísmos, nossa auto-referência, enfim, tudo o que nos atrapalha neste longo processo rumo a Deus.

Deus Pai não apenas nos chama à santidade, mas providencia os meios e a graça para alcançarmos a meta. A Igreja é o caminho e a verdade que nos conduz à verdadeira vida e à semelhança de Cristo. Os monges e monjas da família beneditina, seguindo a Regra de São Bento, abundantemente abençoada pela Igreja, são iluminados pela sabedoria da Regra, cujo princípio fundamental é “Nihil Christo amore praeponere”: Nada absolutamente antepor ao amor de Cristo, que nos conduz à Vida Eterna” (RB 72, 12).

Esta é a nossa vocação: nobre, sublime, e possível, pela graça de Deus.

Por Pe. Francisco Dietzler, OCSO
Mosteiro Trapista Nossa Senhora do Novo Mundo

16 comentários sobre ““Militaram sob a Regra de São Bento e chegaram à plenitude da Vida”

  1. Pe Francisco relata que um convertido francês do século passado, disse: “O único fracasso na vida é não ser santo”. Monsenhor Jonas Abibi também disse: “Ou santos ou nada”. Que possamos buscar com todo o nosso coração a santidade. Aproveitemos todas as oportunidades que Deus nos concede para ganhar a coroa.

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    • Fomos criados à imagem e semelhança de Deus; e “Deus é amor” (1Jo 4, 16). A santidade é, então, deixar-se “encher” por esse amor, tornando-se um canal desse Amor (que é o próprio Deus) na comunidade em que vivemos.
      Por isso a santidade é “a mais alta medida da vocação Cristã”, como ensina João Paulo II.
      A santidade é poder dizer com S. Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gl 2, 20).
      Como convencer um católico disso? Vivendo essa verdade, e dela dando testemunho!

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      • Sim, a santidade, a felicidade e a realização de nós mesmos convergem. Como filhos de Deus tendemos dinamicamente para o nosso Pai, que é a felicidade sem fim, e o cumprimento perfeito de nosso ser. Assim, procurando a felicidade ou nosso perfeito desenvolvimento, estamos procurando a santidade, na condição que reconhecemos que estes dois valores têm sua plenitude em Deus.

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    • São Bernardo fala sobre o “homo incurvatus in se”, o homem curvado sobre si mesmo, preso no círculo do egoísmo e da auto-referência. Cristo veio para nos libertar dessa prisão. Como? Pelo AMOR. Pois “o amor é mais forte do que a morte”.
      O Filho do Homem veio para resgatar e salvar o que estava perdido. Veio para despir-nos do “homem velho”, do homem fechado em si mesmo, para revestir-nos do “Homem Novo”, criado segundo Deus, na justiça e na santidade.
      “O amor de Cristo nos constrange, considerando que se um só ofereceu sua vida em sacrifício de amor por todos, logo todos morreram. Afim de que os que vivem (isto é, os que renasceram n’Ele) já não vivam mais para si mesmos, mas para Aquele que por eles morreu e ressuscitou” (cf. 2Cor 5, 15)

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  2. Pax

    Lindo artigo!!!

    Pe. Francisco, o senhor escreveu “Deus Pai não apenas nos chama à santidade, mas providencia os meios e a graça para alcançarmos a meta.”

    Como percorrermos essa via rumo à santidade sem desanimarmos e desistirmos no meio do caminho? Especialmente quando encontramo-nos diante de nossas próprias misérias e não percebemos claramente para onde estamos indo, embora saibamos qual é a meta final?

    Obrigada!

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    • Quando Adão ouviu os passos de Deus no jardim à brisa da tarde, teve medo e se escondeu no bosque. Mas Deus chamou Adão: “Onde estás?”
      O Arcanjo Gabriel disse a Santíssima Virgem: “Não temas, Maria”.
      Então, sem medo, temos que responder ao chamado do Senhor, enfrentando nossos obstáculos com honestidade e coragem, confiando na superabundância da Graça para conduzir-nos à plenitude da vida.

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  3. +
    pax!

    Querido Padre Francisco, sua bênção!

    Que maravilha de texto. Obrigado por compartilhar com os seguidores do blog!
    Trago um questionamento que queria dividir com o senhor:

    — Diante do que foi escrito, no que se refere aos meios e a graça para alcançarmos a santidade, como podemos lidar com a triste constatação de não se estar devolvendo à vida, a Deus e ao próximo um justo retorno por estas Graças entregues de graça, sem merecimentos?

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    • Precisamente reconhecendo nossa miséria, mas entendendo que nossa miséria não é o obstáculo para o seguimento de Cristo.
      Como o leproso, em sua miséria, que suplicou a Cristo: “Senhor, se queres pode curar-me” e escutou a resposta “Eu quero, sê purificado”, confiemos totalmente na graça superabundante de Deus e nos levantemos para caminhar com Cristo.

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  4. Os monges e monjas da família beneditina, seguindo a Regra de São Bento, abundantemente abençoada pela Igreja, são iluminados pela sabedoria da Regra. E nós padre Francisco, como viver essa sabedoria longe da regra de São Bento e inserido nesse mundo tão cheio de assédios?

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  5. Aqui vão duas sugestões:
    Primeiramente, rezar diariamente pedindo o dom da sabedoria e docilidade à vontade de Deus.
    Segundo, ler e meditar, cada dia, ou as leituras da Missa ou um trecho do Evangelho, ou um bom livro de reflexões diárias.
    O importante é viver na presença de Deus, que está sempre em nosso coração e ao nosso lado.

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  6. Rezo sempre a oração q padre Guido, surfista, e serviu a Deus e na oração ele pede a Virgem Maria nos de a docilidade e obediência a palavra de Deus para q repletos de sabedoria possamos irradiar a luz de Cristo em nossos corações.

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