A mulher, a monja e a mística cisterciense

A bela vocação monástica Cisterciense feminina em um tempo no qual as grandes místicas medievais voltam a ser publicadas e lidas


Eis um livro de 98 páginas recém-lançado pela Cultor de Livros. Reúne ele algumas importantes Conferências feitas na Europa a propósito da mística cisterciense feminina na Idade Média e hoje.

A primeira Exposição é da Ir. Marina Medina, O. Cist. (Monasterio De Santa Cruz, Casarrubios De Los Montes, Espanha) , e trata da vocação da mulher na Igreja. Afirma que a monja não deixa de ser mulher, mas, ao contrário, coloca sua feminilidade, integralmente, a serviço do Evangelho ao consagrar-se como esposa de Cristo, por meio do ágape (amor caritativo). Na Igreja, a mulher desenvolverá a essência da mística pela união com Deus e pela caridade para com o próximo. E ela a realiza por sua própria natureza feminina, essencialmente alterocêntrica (olha para o próximo). A fala da religiosa espanhola leva muito em consideração o documento Vita Consecrata (A vida Consagrada), do Papa São João Paulo II, revestindo-se, deste modo, de forte valor reflexivo e prático na vida eclesial e social.

A segunda Apresentação é mais histórica. Aborda a expansão cisterciense feminina, nos séculos XII e XIII, na Europa. Foi proferida pelo Pe. Francisco Rafael Pascual, OCSO (monge da Abadia de Viacelli, Itália). Ele, além de oferecer uma contextualização da vida monástica feminina na Igreja e, em especial, na Ordem Cisterciense, apresenta detalhes do modo de ser da Ordem e, ainda traz, em Apêndice, textos (Pequena Antologia) de algumas místicas, ilustrando, assim, o que tratou, de forma muito competente, na Palestra.

A terceira Conferência é da Madre Rosaria Spreafico, OCSO, abadessa do Mosteiro de Vittorchiano (Itália), e busca detalhar o lugar da mulher na família cisterciense a partir de uma reflexão feita à luz da história na qual essas monjas se inserem. Nesse contexto, ela pensa o futuro da vida monástica feminina, na Igreja e na sociedade. É tema de capital importância em um tempo no qual alguns Institutos religiosos sofrem grande escassez de vocações.

A quarta Palestra é da Ir. Kándida Saratxaga, O Cist. (Santa Ana de Lazkao, Espanha). Quer nos apresentar – embora reconheça a dificuldade de abarcar os muitos aspectos dessa rica temática – um quadro tão geral quanto possível da mística feminina medieval. Parte da experiência pessoal de cada monja em sua ardente paixão de se unir, em matrimônio místico, ao Divino Esposo, Jesus Cristo, Nosso Senhor. Aparecem, aí, temas da mística ordinária (união com Deus e doação ao próximo) e extraordinária (fenômenos), conforme tratados em nosso livro “A verdadeira mística: Deus em nós e nós n’Ele” (Ed. do Autor, 2017).

De acordo com D. Bernardo de Oliveira, OCSO, antigo abade geral da Ordem Trapista, “a experiência mística da vida cristã ocupa um lugar central na tradição Cisterciense. Esta afirmação é tão evidente que não precisa demonstração. Os primeiros cistercienses [no século XII] trataram de viver na presença de Deus e em plena comunhão com Ele. Esta declaração de intenções guarda, hoje, todo seu valor. Em nossas Constituições podemos ler: ‘Nossa Ordem é um Instituto monástico integralmente ordenado à contemplação’ (Constituições OCSO, n. 2)”.

O livro traz algumas elucidativas notas de rodapé inseridas pelo tradutor. Elas, de modo algum, têm a pretensão de ser completas, mas, sim, de ajudar os leitores em um ou outro ponto. No final, há um questionário que ajuda na assimilação do conteúdo lido, servindo, assim, como mini curso sobre a mística cisterciense feminina.

Desejamos, com esse trabalho de tradução, prestar mais um serviço à Igreja – que reflete, inclusive, sobre a possibilidade de um Sínodo a respeito da mulher – e, em especial, à bela vocação monástica Cisterciense feminina em um tempo no qual as grandes místicas medievais voltam a ser publicadas e lidas com santa avidez. Deus seja louvado! ⊕

Ir. Vanderlei de Lima, Eremita de Carlos de Foucault
Tradutor do livro e autor deste artigo.

Confira o catálogo da “Livraria do Mosteiro”

Um comentário sobre “A mulher, a monja e a mística cisterciense

  1. A Paz!
    Agradeço às recomendações e a iniciativa.
    A oportunidade de termos um Mosteiro Trapista feminino próximo a nós já é uma alegria e uma bênção que aumenta a nossa esperança na promessa de salvação que recebemos como batizados e entregues a fé em Cristo, Nosso Senhor.
    Pois após ter conhecido o Mosteiro Trapista feminino é maior o desejo de estar e viver em Cristo.

    Curtido por 2 pessoas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s