São Bento, astro brilhante da Igreja e da Civilização

A ordem monástica fundada por São Bento foi uma das alavancas mais poderosas, após o declínio do Império Romano, para o nascimento de um mundo novo: a Europa Cristã. Estaríamos nós, no Terceiro Milênio, vivendo tempos análogos aos de Bento? Os grandes pontífices do nosso tempo — de Pio XII (autor da encíclica cujo trecho reproduzimos abaixo) a Bento XVI — acreditam que sim. Perguntemo-nos então: estaremos nós monges, os filhos de São Bento hoje, à altura da tarefa que o Senhor nos confia? Queira Deus que sim.


Papa Pio XII
Encíclica «Fulgens radiatur»

Fulgurante de luz, Bento de Núrcia, glória de toda a Igreja, resplandece como astro na cerração da noite. Quem pacientemente estudar a sua gloriosa vida e adentrar, à luz da história, o tempestuoso tempo em que viveu, há de sentir, indubitavelmente, a realidade da promessa que o Senhor deixou aos apóstolos e a sociedade que fundara: “Estarei convosco, todos os dias, até a consumação dos tempos” (Mt 27,20). Sentença e promessa que jamais perderá, por certo, a sua atualidade, porque se envolve no curso dos séculos, que a divina Providência governa e encaminha. Com efeito, quando são mais audazes e agressivos os inimigos da religião e mais temerosos os baixios em que se agita a nau vaticana de Pedro, quando tudo, finalmente, se vai, a desmoronar, e já pereceu de todo a esperança humana, então, precisamente, o amigo que não falta, o divino consolador, dispensador dos tesouros celestiais, Jesus Cristo, aparece para reconstituir as fileiras abaladas, com novos contingentes de atletas, que saiam a defender em campo a república cristã, que a reintegrem como antigamente e que, se puder ser, com o auxílio da graça, a enriqueçam de novas conquistas.

À marcha das legiões romanas, que avançavam pelas vias consulares a fim de subjugarem ao império de Roma os povos distantes, sucedeu, com efeito, o exército pacífico dos monges, desprovidos de forças materiais, mas armados do poder que vem de Deus (2Cor 10,4), enviados pelo sumo pontífice a dilatar o reinado de Jesus Cristo até aos confins da terra – não com a espada e o pavor do saque e da carnificina, mas com a cruz e o arado, com o Amor e a Verdade.

Onde quer que chegasse este exército desarmado de agricultores, de artistas, de teólogos, de sábios, de pregoeiros do Evangelho, marcava bem fundo o rastro das suas pegadas, em oficinas que se erguiam, alegres de arte e de trabalho, em relhas que se multiplicavam, desabrochando o seio das florestas na promessa verde dos campos, em novos grupos de povos civilizados, arrancados aos costumes da selva pelo exemplo e pregação dos monges. Apóstolos sem-conta percorreram, transbordantes de caridade divina, as regiões turbulentas e ignoradas da Europa, regando-as, generosamente, de suor e de sangue, levando às populações pacíficas a luz das verdades e da moral cristã.

Com efeito, desde a Inglaterra, a França, a Holanda, a Alemanha, a Dinamarca, a Frísia, a Escandinávia, até a Hungria, nenhum povo há que se não orgulhe do apostolado dos monges, os não considere como glória nacional e ilustres iniciadores da sua cultura. Quantos bispos, saídos do claustro, não governaram sabiamente suas dioceses, ou já constituídas ou por eles criadas, fecundando-as com o seu labor! Quantos mestres, quantos doutores exímios, fundando escolas que ficaram célebres depois, iluminando os espíritos obscurecidos no erro e contribuindo para desenvolvimento e progresso da cultura religiosa e profana! Quantos varões santíssimos, finalmente, que, ingressando na ordem beneditina, se adestraram no exercício da perfeição evangélica e intensamente propagaram o reino de Jesus Cristo, com o exemplo e com admiráveis prodígios que operavam mediante a graça divina.

Da Encíclica “Fulgens radiatur” (1947), Sobre o XIV Centenário da Morte de São Bento, Patriarca dos Monges do Ocidente

Leitura sugerida:

Pio XII, Encíclica “Fulgens radiatur”, Sobre o XIV Centenário da Morte de São Bento, Patriarca dos Monges do Ocidente

A Opção Beneditina — Uma estratégia para cristãos no mundo pós-cristão, por Rod Dreher. Ed. Ecclesiae. Apoiando-se na história de São Bento, que respondeu ao colapso da civilização romana fundando uma ordem monástica, a “opção beneditina” propõe algo semelhante, uma espécie de recolhimento estratégico baseado na autoridade das Escrituras e na sabedoria da Tradição da Igreja.

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