14 de setembro, Festa da Exaltação da Santa Cruz

A Festa da Exaltação da Santa Cruz remonta a 335, ano da Dedicação das duas basílicas constantinianas de Jerusalém no Gólgota: Ad Crucem (da Santa Cruz) e Anástasis (da Ressurreição).  No Oriente bizantino esta é uma das maiores solenidades do ano. Na Regra de São Bento, sua data marca o início do chamado “jejum monástico”, que dura até a Páscoa do ano seguinte. 

Publicamos aqui a leitura para o Ofício de Vigílias, de autoria de S. André de Creta (660-740), monge de S. Sabas em Jerusalém, depois bispo de Creta (Grécia).

No próximo post comentaremos as leituras da Missa desta festa, que se revestem de significado especial  neste momento tão delicado na vida da Igreja, quando todo o povo de Deus é solenemente convocado a abraçar a penitência e a conversão, pessoal e comunitária, diante dos graves escândalos que têm se perpetrado no seio da Igreja, conforme a Carta do Papa Francisco ao povo de Deus (20 de agosto de 2018).


A glória e a exaltação de Cristo é a cruz

S. André de Creta

Oratio 10 in Exaltatione sanctæ crucis

62a92ad3c58905883a62bcca3bb445101elebramos a festa da cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz e junto com o Crucificado somos levados para o alto para que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão imenso valor que seu possuidor possui o maior tesouro; nele, por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e a Criação é restituída ao seu estado original.

Se não houvesse a cruz, a Vida não seria pregada no lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não teria sido rompido o grihão do pecado, não teríamos sido declarados livres, não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o inferno.

É, portanto, grande e preciosa a cruz. Grande sim, porque por ela grandes bens se tornaram realidade; e tanto maiores quanto, pelos milagres e sofrimentos de Cristo, mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma paixão; e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim, arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação de todo o mundo.

Que ainda a cruz seja a exaltação de Cristo, escuta o que ele próprio diz: Quando eu for exaltado, atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a exaltação de Cristo.

Jerusalem-Cross-IHS

 

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