20 de Agosto: São Bernardo de Claraval

Apesar do nome Bernardo de Claraval estar se tornando bastante conhecido em nossos dias, o fato é que na Igreja do Brasil o santo abade de Claraval ainda é pouco conhecido como mestre de sabedoria e espiritualidade. Podemos dizer que São Bernardo ainda está para ser descoberto nas diversas facetas de sua pessoa rica, complexa e inspiradora, tanto quanto por seu exemplo de vida cristã e itinerário para a união com Deus em Cristo — o que, em essência, é a santidade.


Mesmo numa abordagem puramente histórica, qualquer estudioso encontrará logo a figura de Bernardo como figura dominante em seu tempo, o século XII, ponto alto da civilização medieval europeia, período em que a Cristandade viveu em relativa paz e prosperidade, e conheceu um reflorescimento em vários planos, sobretudo se comparado com os séculos anteriores. Na perspectiva cristã, estamos em plena Reforma Gregoriana (iniciada pelo papa Gregório VII, monge cluniacense), movimento que buscou uma profunda purificação Igreja e da vida monástica, com o desejo de volta à integridade primeira e ao pleno vigor evangélico.

Bernardo, como filho de seu tempo, é um ardoroso partidário da reforma. Deixaremos de lado por enquanto sua atuação no plano político-eclesial, ao qual certamente voltaremos nas postagens futuras; neste artigo nosso olhar se fixará no monge cisterciense zeloso e santo, homem admirável e um gigante da espiritualidade. Seu próprio itinerário espiritual, que se torna depois seu ensinamento e sua herança espiritual, pode ser descrito como um caminho progressivo de busca e descoberta da Verdade: verdade sobre si mesmo, sobre o próximo e sobre Deus.

Este itinerário começa com a dolorosa experiência do autoconhecimento, com o qual, segundo suas palavras, o homem chega àquele conhecimento mais verdadeiro sobre si mesmo que o torna vil aos próprios olhos. Pode-se dizer que é a perda das ilusões sobre si mesmo. O Cristo, modelo de humildade, o conduz neste caminho e o leva a verdade. Sabendo-se miserável – mas não ser sem a dignidade de criatura feita à imagem de Deus -, como não ter um olhar de compaixão para com o próximo, em que se descobre a mesma miséria? E aqui se chega ao segundo grau da verdade, a verdade sobre o próximo ou a compaixão. Como escreve Bernardo, a compaixão é um olhar de amor para com o outro e, assim, derramada a caridade no coração por ação do Espírito, com o coração e o olhar purificado é possível atingir o terceiro grau da verdade, a contemplação de Deus ou a contemplação da verdade em si mesma. Crescer na caridade e crescer na união com Deus em Cristo, eis a tarefa do monge. Mas isso só é possível mediante a união cada vez mais estreita entre a própria vontade e a vontade de Deus, de modo a ter com Ele um só querer e não querer.

Nestas poucas linhas que descrevem o cerne de seu ensinamento espiritual não é possível, evidentemente, traduzir adequadamente toda sua riqueza. Para isso será necessário percorrer seus inúmeros escritos e aprender, ali, as lições da mais pura espiritualidade cristã tão válida ontem como hoje. A esta tarefa nos dedicaremos ao longo deste blog, se Deus permitir. ⊕

Oração

Ó Deus, que fizestes do abade São Bernardo, inflamado de zelo por vossa casa, uma luz que brilha e ilumina a Igreja, dai-nos, por sua intercessão, o mesmo fervor para caminharmos sempre como filhos da luz.

3 comentários sobre “20 de Agosto: São Bernardo de Claraval

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