“Maria, trono de Deus”: Sermão para a Assunção, Guerrico de Igny

Sermão I para a Assunção da Virgem Maria, Rainha de Cister

Bem-aventurado Guerrico de Igny (1070–1157), abade cisterciense

«Vem, minha escolhida, e eu colocarei em ti o meu trono». Sim, Maria foi escolhida, de maneira única, antes e mais que todos os outros escolhidos. O Senhor a preferiu para sua morada (Sl 131, 13), ao dizer: Eis o lugar do meu repouso para sempre; é aqui que habitarei porque o escolhi (Sl 131, 14). Habitou nela durante nove meses; por vários anos habitou com ela e lhe era submisso. Doravante, habitando nela e com ela, não apenas para sempre, mas de um modo que ultrapassa o entendimento, ele a cumula com a glória das visões dos bem-aventurados.

Esta Virgem e Mãe única, da qual nasceu o Filho Único do Pai, estreita com amor seu próprio Filho Único em todos os seus membros, isto é, os filhos da Igreja, ela que é a mãe de todos aqueles nos quais vê seu Cristo já formado ou em vias de se formar. Como a Igreja, da qual é figura, ela é mãe de todos os que nascem para a vida.

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Com efeito, ela é a mãe da Vida pela qual todos os homens vivem. Gerando a Vida para o mundo, ela fez nascer para uma vida nova todos os que viverão desta Vida. Um só foi gerado, mas todos nascemos para uma vida nova, pois, de fato, ao considerarmos a semente que propaga o novo nascimento, nós todos já estávamos nele.

E agora habitamos ao abrigo da mãe do Altíssimo, vivemos sob a sua proteção, como à sombra de suas asas; mais tarde, participando de sua glória, seremos como que acalentados em seu seio, pois o Rei da glória pôs nela o seu trono. «Vem, – diz ele – minha escolhida, e eu colocarei em ti o meu trono». Não poderíamos exprimir com mais exatidão e propósito o privilégio singular que distingue sua glória a não ser chamando-a de trono do Deus soberano.

Temos razão de acreditar que o Rei possui um trono especial, elevado e majestoso (Is 6, 1), acima da glória de todos os tronos da terra. Refiro-me a Maria, elevada acima dos coros angélicos de tal modo que a Mãe nada contemple acima dela, a não ser unicamente o Filho; a Rainha, nada admire acima dela, a não ser unicamente o Rei; nossa Medianeira, nada venere acima dela, a não ser unicamente nosso Mediador. Que, por suas preces, ela nos una, nos recomende e nos apresente a seu Filho único, Jesus Cristo, a quem pertencem a honra e a glória pelos séculos dos séculos. Amém. ⊕

 

 

Um comentário sobre ““Maria, trono de Deus”: Sermão para a Assunção, Guerrico de Igny

  1. É pelo Espírito Santo que Maria é conduzida à casa de Zacarias. E ao chegar nessa “cidade de Judá”, o Pai compartilha com Isabel e com o “menino” esse mesmo Espírito. E é pela sua moção que o menino vibra e Isabel admira-se extasiada: …“como pode a mãe do meu Senhor vir visitas-me”? São grandes, não obstantes paralelos esses mistérios: a revelação e confissão de Isabel, o menino que vibra e Maria que havia concebido pelo Espírito Santo e que nesse ato se revela serva. Neles é revelado a honra de Maria entre todas as mulheres, trono e casa de Deus. No seio de Isabel, o Precursor se agita como as águas da piscina probática, trazendo de Deus milagres e pela contradição confunde a cabeça dos sábios que ao ver a singelidade de Maria não conseguem compreender que Deus pode habitar em seu ventre e desta forma, exaltando os humildes, se prenuncia a salvação de toda humanidade.

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