“A doação total de uma vida a Deus”: Profissão solene do Irmão Estêvão Melo, O.Cist

Crônica da profissão solene de Ir. Estêvão Melo, da Abadia de Nossa Senhora da Assunção de Hardehausen-Itatinga

Durante a missa solene da Vigília de Pentecostes, no último dia 19 de maio, o Irmão Estêvão Melo teve a graça de emitir seus votos solenes, na presença não apenas de sua comunidade monástica, mas também de vários representantes de mosteiros cistercienses, de membros do clero da Arquidiocese de Botucatu, e de familiares, amigos e fiéis que literalmente lotaram a assembleia da pequena igreja da Abadia. A cerimônia, presidida por D. Abade Luis Alberto, seguiu o rito cisterciense, com tudo que possui de próprio.

Na homilia, D. Luis Alberto, quis comentar o sentido da palavra «profissão», que deriva do verbo latino profiteor, que significa declarar ou professar publicamente e também, derivadamente, prometer. Neste sentido diz-se professar a fé, isto é, manifestá-la publicamente, mas ainda prometer alguma coisa, como no caso da profissão monástica, em que São Bento pede que o monge prometa sua obediência, sua conversatio e sua estabilidade na comunidade que o acolhe.

Seria possível falar também de uma profissão, no sentido comum de ofício exercido e, então, poder-se-ia pensar na profissão monástica como um estado de vida em que se “pratica” a vida monástica com todas as suas exigências, de acordo com o que lhe é próprio (que seria o sentido da promessa de conversatio morum).

Contudo, acentuou o oficiante, o que o Irmão Estêvão estava para professar ou prometer, através das três promessas beneditinas, era algo muito mais profundo e abrangente, a doação total de sua vida a Deus no seguimento e na imitação de Cristo, de maneira a não possuir mais nada que possa dizer seu, seja sua vontade, seu corpo, suas capacidades, enfim, toda a riqueza de seu ser pessoal. Doação sumamente livre, porque fruto e exigência de seu amor a Cristo, a quem o monge nada quer antepor. Aqui a vontade não é aniquilada mas dirigida e plenificada na escolha da vontade de Deus e, por isso mesmo, capaz de atingir a verdadeira liberdade de espírito.

É por isso que, na realidade, o monge faz, no fundo uma só promessa, professa publicamente seu amor a Cristo e, por isso, quer viver aquele zelo ardente de caridade a que São Bento chama no capítulo 72 de sua  Regra o bom zelo, que afasta de todos os vícios, aproxima de Deus e expele todo temor. ⊕

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